22 dezembro 2011

HISTÓRICO DA COMUNIDADE OLHO D ÁGUA DOS NEGROS


Casa Grande do Olho D´água dos Negros




Há dezoito quilometros de Esperantina, existe uma Casa Grande que foi testemunha da história deste Município, porém vive no esquecimento das autoridades competentes. É  um lugar muito bonito, que merecia ter mais atenção por todos. A casa está em ruinas e corre o risco de desabar neste inverno de 2012. Foi tombada pelo o Estado, mas em prática está no esquecimento.
 
 História da comunidade Olho D’água dos Pires, hoje Olho D’água dos negros, tem início no ano de 1847 quando
Mariano de Carvalho Castelo Branco e sua esposa, Rosa Maria Pires, passaram a administrar a propriedade Boqueirão, que Maria Rosa e sua irmã Carlota Pires receberam do pai.
Instalando-se no Boqueirão, Mariano Carvalho Castelo Branco tratou de montar sua fazenda, dando início à construção da Casa – Grande e trazendo alguns escravos para sua propriedade.
Mariano Carvalho Castelo Branco e Maria Rosa Pires tiveram três filhos:
- Viriato Rosendo de Carvalho – Engenheiro formado em Paris morreu na Guerra do Paraguai;
- Belizário Olympio de Carvalho – Capitão do Exército faleceu na Guerra do Paraguai;
- Eudoro Emiliano de Carvalho – Engenheiro do Exército, Major, participou da Guerra do Paraguai, sendo condecorado com várias medalhas.
Em 1892, devido a problemas de saúde, Mariano C. Castelo Branco, buscando tratamento médico, muda-se para Parnaíba – PI, deixando sua cunhada Carlota Pires na administração da fazenda. Inexperiente, Carlota vende a propriedade para seu irmão Valdivino de Sousa Pires, que por sua vez, entrega a administração da propriedade ao seu cunhado Manoel Ribeiro.
Por volta de 1900, ao ser perfurado, uma cacimba se tornou jorrante, dando origem a um olho d’água. A partir daí a fazenda passou a se chamar Olho D’água dos Pires, em alusão ao sobrenome do proprietário.
Valdivino Pires e sua família, no ano de 1907, em virtude do estado de saúde de Manoel Ribeiro (seu cunhado e administrador do Olho D’água), passaram a morar no Olho D’água dos Pires. Na propriedade, Valdivino Pires encontrou muitos negros que, por falta de opção, continuavam morando e trabalhando na terra, ainda sob o regime de escravidão...
Com a morte do Capitão Valdivino a fazenda passou a serem administrados por seus filhos Domingos Pires e Jacy Coelho Pires. Por motivos pessoais Domingos Pires vende sua parte da propriedade para a irmã. Jacy Pires, filha caçula do Capitão Valdivino, procurou seguir a mesma administração opressora do pai. Porém, movidos por sentimentos de revolta e buscando melhores condições de vida, os moradores do Olho D’água dos Pires passaram a contestar o autoritarismo do algoz jacy Pires. Em 1994, com sua autoridade enfraquecida e após diversas conquistas da comunidade, Jacy Pires vende a propriedade para o Dr. Francisco Araújo Linhares, advogado cearense que reside atualmente em Esperantina...
Já com elevado nível de consciência e organização, e com o apoio de algumas entidades, os moradores do Olho D’água dos Pires passaram a negociar com  o Dr. Linhares para que o mesmo vendesse a propriedade. Em 2002, com recursos de um projeto financiado pela entidade estrangeira Festinofe (conseguido com intermédio do Centro de Educação Popular Esperantinense – CEPES) e de uma doação da prefeitura de Esperantina – PI, a propriedade Olho D’água dos Pires foi desapropriada. Sendo que em maio de 2004 a conquista maior foi concretizada, a prefeitura deu a propriedade em comodato, por tempo indeterminado, para a Associação de Desenvolvimento Comunitário dos Pequenos Produtores da Comunidade Olho D’água dos Negros – ADECOPOL. Hoje devido ao nível de consciência e o orgulho de serem negros os moradores mudaram o nome da comunidade para Olho D’água dos Negros.

                 CASA GRANDE DO OLHO   D’ÁGUA DOS NEGROS
  

                                                                      


Casa de Estilo Rústico Colonial

Construída em 1847, sob o comando de Mariano de Carvalho Castelo Branco, a Casa-Grande foi por muito tempo a sede da fazenda Olho D’Água dos Pires e hoje é a maior reminiscência histórica da escravidão negra do Piauí.
De estilo rústico colonial a Casa-Grande do Olho D’Água possui paredes densas como peitoris com varandas em forma de “U”; muitos cômodos com vários acessos para circulação, característica que tipificam a moradia rural das sedes das fazendas do interior do Piauí. Na estrutura da Casa-Grande destaca-se o porão (Aterrado por motivo de segurança)que era utilizado para aprisionar os escravos...
     
As telhas fabricadas pelos escravos, que possuem inscrições gravadas (nomes, datas, desenhos de animais, frutas e pessoas). Além do olho d’água que deu origem ao nome do lugar. Todo este patrimônio, que não recebeu os devidos cuidados de preservação, passou a ser destruído com o tempo...
A Casa-Grande, que hoje é patrimônio histórico estadual de acordo com o Art. 13 da Lei Nº 4515 de 09 de novembro de 1992 e tombada pelo decreto Nº 9311 de 23 de março de 1995 do Governo do Estado, está sob os cuidados da ADECOPOL, pois estes são os maiores interessados na preservação da historia dos seus ancestrais, histórias dos escravos negros, história de trabalho, luta e resistência.


Meninas do Olho D´água dos Negros (Dança do Côco)



 
                    
                        

Cláudio Henrique, Lider da Comunidade (1° da esquerda para direita)

                            MARCO HISTÓRICO

ace ao decreto 4.887 de Novembro de 2003 que regulamenta o procedimento para identificação, delimitação, demarcação e titulação das áreas ocupadas por remanescentes de Quilombos nos termos do artigo 68 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias e Instrução Normativa INCRA  nº. 16, de 24 de março de 2004, a Superintendência Regional do INCRA – Piauí em articulação com o Governo do Estado do Piauí firmou Convênio do Cooperação Técnico através dos órgãos estaduais INTERPI – Instituto de Terra; EMATER – PI Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural; SASC – Secretaria da Assistência Social e Cidadania e FUNDAC – Fundação Cultural do Piauí na perspectiva de ampliar sua força de trabalho e infra-estrutura, visando garantir o atendimento às demandas dos movimentos sociais que representam as comunidades afro-descendentes, especialmente, a Coordenação Estadual das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, que efetuou o mapeamento das comunidades do Piauí.

Com a aprovação do “Projeto de Regularização Fundiária – Terras Devolutas Estaduais com Comunidades Negras Rurais” elaborado pela Divisão Técnica do INCRA – Piauí foi iniciadas as atividades com uma oficina de Nivelamento no Município de Paulistana, localizada na região Sudeste, onde existe a maior concentração de comunidade Quilombolas, contando com a participação dos técnicos e procurador indicados pelas entidades parceiras e a Coordenação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas com o objetivo de apresentar e discutir a legislação pertinente e instrumentalizar os técnicos da área cartográfica no uso de GPS Georreferenciamento de Imóveis Rurais, elaboração de plano de trabalho a ser desenvolvido em campo. Destacamos como elemento facilitador dos trabalhos, estudos técnicos em nível de Diagnóstico elaborado através de Projeto de colaboração Técnica EMATER/ FAO encaminhados ao INCRA com anuência das comunidades Quilombolas do Estado do Piauí.






3 comentários:

  1. é uma pena que as autoridades do nosso estado nao dao a devida importancia para nossa historia, quando se trata da preservaçao de nossas construçoes coloniais,um exemplo é o que acontece aqui em campo maior uma das cidades mais antigas do piaui esta as vesperas de completar 250 anos so de emancipaçao politica e sao poucas as consturçoes que ainda resistem à açao do tempo e o descaso das autoridades.

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  2. Minhas tias choram hoje ao lembrar q ja correram quando pequenas as varandas da casa grande. É uma pena. Sou da família pires e acho q não vou conhecer mais essa casa😢

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  3. Minhas tias choram hoje ao lembrar q ja correram quando pequenas as varandas da casa grande. É uma pena. Sou da família pires e acho q não vou conhecer mais essa casa😢

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