29 abril 2011

 Casamento real ajuda a aumentar a popularidade da monarquia, dizem especialistas


Casamento real ajuda a aumentar a popularidade da monarquia, dizem especialistas A cidade de Londres foi enfeitada para receber o casamento real. 

Para historiador britânico, a história do príncipe William tem apelo popular

O casamento do príncipe William e de Kate Middleton, hoje sexta-feira (29), atraiu a atenção de 2 bilhões de pessoas ao redor do mundo. Para os monarquistas, o evento é uma boa vitrine do sistema dentro e fora do Reino Unido. Pesquisa ICM, divulgada nesta semana pelo jornal britânico The Guardian, mostra que quase 70% da população dizem que a monarquia ainda é relevante para o país.

A popularidade da monarquia caiu após a morte da mãe de William, a princesa Diana, em 1997. Naquele período turbulento, o silêncio da Casa de Windsor foi visto como indiferença. Mas, agora que William está para se casar com uma jovem bonita e agradável, a realeza volta a atrair simpatia, diz Hugo Vickers, historiador britânico e autor de livros sobre a realeza, como a biografia da rainha Elizabeth 1ª.

- Muitas pessoas do mundo se preocuparam com o príncipe William na época da morte de sua mãe, em 1997. É ótimo ver como ele cresceu tão bem, se tornou um rapaz tão incrível e agora vai se casar. É o tipo de história que tem apelo para as pessoas.

O historiador conta que, quando Charles e Diana se casaram, havia motivos de preocupação, porque a noiva foi indicada pela família real e o príncipe ainda estava ligado à sua ex-namorada, Camilla Parker Bowles. Mas agora, no caso de William e Kate, não há reservas, porque eles se conheceram como muitos casais comuns, quando eram estudantes universitários.

Para o historiador Estevão Martins, da UnB (Universidade de Brasília), uma grande festa como a que está sendo planejada reforça o prestígio humano e afetivo da família real.

- Há uma espécie de glamour afetuoso pelas figuras reais.

No entanto, Martins diz que o interesse pelo evento tem muito a ver com a ação da mídia global, que mostra o caráter mágico, fascinante e idealizado da história. Para ele, o frenesi em torno do casal real deve durar pouco tempo.

Plebeia
O fato de Kate Middleton não ter ligações aristocráticas aproxima a realeza da população, avalia Rodrigo Patto Sá Motta, professor de história da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

- A monarquia passa a ideia de que está se popularizando, se modernizando, se abrindo ao mundo. É algo que poderia ser usado como estratégia de marketing.

Para o especialista, nos dias de hoje, quando o papel político da realeza é praticamente inexistente, seri impensável que o príncipe não pudesse escolher sua noiva, fosse ela membro da nobreza ou não. Durante muitos séculos, os casamentos eram arranjados levando-se em conta não o interesse dos noivos, mas sim os do Estado. As uniões estavam mais relacionadas a alianças políticas e militares e até à expansão territorial.

Estevão Martins afirma que o casamento de um príncipe com uma plebeia ajuda a acabar com a hipocrisia nos relacionamentos reais, já que muitos monarcas tiveram casamentos formais com nobres, mas não abriam mão das amantes de origem mais simples.

Futuro da monarquia
O casamento de William com Kate é relevante para o Reino Unido porque eles serão, no futuro, o rei e a rainha do país, após o reinado de Charles. O historiador Hugo Vickers vê uma monarquia renovada com a geração de William, o que deve dar vida longa ao sistema.

- Muita gente prevê o fim da monarquia, mas é um bom sistema, funciona bem. Está na cabeça e nos corações da população britânica. A monarquia está bem segura neste país. E o novo casal real deve representá-la muito bem mundo afora.

Para ele, a realeza "dá um senso de estabilidade e consistência ao longo da história". Os monarcas já não têm poderes políticos no Reino Unido. Suas funções são, principalmente, participar de cerimônias e representar o país.

Por outro lado, movimentos republicanos na Inglaterra e outros países da Europa têm visto no casamento real uma oportunidade para repensar o sistema de governo. Grupos anti-monárquicos preparam várias ações para o momento da festa e para o dia seguinte. hoje sexta-feira (29), haverá uma festa de rua na praça Red Lion, em Londres, com o objetivo de atrair mais partidários para a causa. Foi marcado para a manhã  sábado (30), também na capital da Inglaterra, uma convenção de movimentos republicanos europeus, que vai discutir forma de deixar o continente "livre" da monarquia.

De acordo com o jornal The Telegraph, o número de afiliados do grupo Republic, o maior pró-republicano do país, aumentou em 50%, para mais de 14 mil membros, desde o anúncio do noivado de Kate e William. Mas os ativistas continuam sendo minoria no país. Uma pesquisa feita pela organização YouGov, no final de 2010, revela que apenas 16% querem que o país se torne uma república.

A rainha Elizabeth 2ª, avó de William, subiu ao trono há 59 anos e 2 meses, sendo a monarca a ter o terceiro reinado mais longo na história britânica, e está prestes a assumir o segundo lugar. A superam apenas a rainha Vitória, com 63 anos e 7 meses, e o rei George 3º, com 59 anos e 3 meses.

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